<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352</id><updated>2011-11-18T12:53:22.268-08:00</updated><category term='Amor'/><category term='Homossexuais'/><category term='Direitos'/><title type='text'>Palavras do Exílio</title><subtitle type='html'>Este espaço é para provocar reflexão, encontrar os amigos, discutir questões sobre ciências sociais, política, direito, cinema, literatura. É também uma forma de enfrentar com inteligência e humor os desafios impostos pelo meu diletantismo nato. Deixe seu comentário, espalhe a notícia e se juntem ao exílio todos aqueles que, de alguma forma, se sentem separados de algo que amam.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-8533015206821064027</id><published>2010-07-18T20:01:00.001-07:00</published><updated>2010-07-18T20:02:49.328-07:00</updated><title type='text'>interlúdio</title><content type='html'>A dor às vezes vem como sombra no final da tarde. Ela está lá, ainda, fraquinha, quase imperceptível, mas, teimosamente, te dizendo que não vai até que a noite caia. Daí a noite vem e te liberta da sombra, mas a dor fica, permanece. Mente, não parte com a sombra, pelo contrário, da noite se fortalece e se joga no abismo que só você achava que tinha a chave. Nada disso, num estado de absoluta embriaguez do inconsciente, momento raro em época de individualismo pseudo-racional,  a dor se aproveita e invade o corpo, que vazio está de esperança. Nem mesmo a cura é pra ele esperança. A cura é um momento, passageiro, um interlúdio para lembrar ao corpo que a dor o domina por tempo indeterminado. Mas calma. Esse corpo que sofre dor é o mesmo que sonha, num paradoxo histriônico despede-se da dor como se a quisesse de volta no momento seguinte. Uma pausa necessária para se compreender a si próprio, mas a demanda é para que volte, sempre.  O nada se apresenta e o homem, corpo, inconsciente, refúgio dos poetas que fracassam, se comunica com ele próprio com a sentença que o condena e o sursis no outro lado da distinção dessa latência. Existe a dor porque existe a não-dor e essa realidade é comunicada porque me pertenço, de alguma forma, me pertenço. Assim é a ironia que nasce de todo corpo que observa a sua saga. Saga de ser SER.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-8533015206821064027?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/8533015206821064027/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=8533015206821064027' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/8533015206821064027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/8533015206821064027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2010/07/interludio.html' title='interlúdio'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-1511788693844091328</id><published>2010-07-02T19:34:00.000-07:00</published><updated>2010-07-02T19:42:56.994-07:00</updated><title type='text'>Mama África</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/TC6jmlHpViI/AAAAAAAAAKM/lOwBq2J3n8k/s1600/Africas.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/TC6jmlHpViI/AAAAAAAAAKM/lOwBq2J3n8k/s320/Africas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489504879005750818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Copa do Mundo de 2010 me lembrou Tolstoi. Escritor russo, apocalíptico, paradoxal. Homem que gerou 13 filhos na sua mulher e, ainda assim, chocava a sociedade russa com opiniões duras e pouco amáveis sobre família e casamento. Um homem capaz de amar a Deus ardentemente e, ao mesmo tempo, observar esse amor com frieza e certo desdém, diria Gorki, escritor que escreveu, na opinião de Harold Bloom, a melhor introdução sobre o escritor Russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa Copa nos trouxe o continente africano, representado pela África do Sul. Em época de absolutização da mídia e totalidade da informação, os cenários trazidos foram os mais variados, sensações diversas, olhares de todos os tipos. Estava ali, frente a todos, uma África desnuda, com seus peitos grandes e cheios de leite para quem quisesse ver. Uma Tolstoi dos continentes. Desejosa de salvação ou, apenas, necessitada? Largada à sua própria sorte, paradoxal - paradoxo este simbolizado na pobreza, na segregação social absurda, nas violências emocional e física, que convivem com o espetáculo do esporte, da pirotecnia da modernidade sintetizada no consumo? Deixada de lado ou auto-excluída de um ocidentalismo bárbaro e trágico tal e qual suas crônicas mais cotidianas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seria uma loucura total concluir que Tolstoi e África se encontram em algum ponto desconexo do mundo paralelo das indagações; filosóficas, poéticas, concretas, artísticas, ou não. Não seria, talvez, insano olhar para o caráter neurótico que se instala entre Tolstoi-homem e Tolstoi-obra e creditar a este singular-plural uma africanidade radical, simbolizada no abandono do olhar estrangeiro e, por que não, do seu próprio. Mas há de ter uma razão para isso e a especulação é uma das armas mais deliciosas de quem delira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali está o ocidente rico, branco, com olhos azuis e verdes como topázios, cartões platinum, gold, esmeraldino. Ali está a invasão dos bárbaros, materializada nas arquibancadas de estádios que mais parecem naves espaciais descidas para canibalizar suas Genis africanas. E, ainda assim, com toda essa pompa e circunstância, pode-se ter a impressão, tal e qual Gorki tivera sobre Tolstoi, de que não passa de um espetáculo tardio e de uma calculada irrelevância para o continente africano. É a mama África abrindo mão de sua singela, porém lindíssima, identidade para dar a seus filhos um leite pasteurizado cheio de antibióticos, que mais se parecem com placebos, gerando falsas possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a mama África, jogando na cara de quem quiser ver, afirmando que a observação do estrangeiro é impossível, devido à sua própria condição de estrangeiro. Com a delicadeza de um negro ganês, chorando após a derrota para o adversário, a mama África nos impõe o sussurro da vergonha nos agudos das vuvuzelas. É esse triunfo neurótico, recheado de violência retórica, que traz Tolstoi à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor Russo, na luta para calar seu desejo pelo mítico salvador, não se furta de buscá-lo incessantemente, através de suas personagens camponeses no interior da Rússia. Nas palavras de Harold Bloom: “racionalista demais, rígido o suficiente, para partilhar da fé de seu povo, mas que apesar disso lutou como um bravo para partilhar o amor dele por Deus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela Copa, pela alegria passageira, que fosse, pela certeza do abandono, a África e seus negros, brancos e mulatos, nos poupou de culpa. Disse-nos, com a delicadeza de um Rei africano, com danças, sorrisos e sons, que, talvez, seja todo o espetáculo uma metáfora do seu isolamento. Uma escolha maternal para dar a seus filhos o conforto da barbárie, tal e qual Tolstoi dava às suas personagens a certeza da fé, pela sua própria racionalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-1511788693844091328?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/1511788693844091328/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=1511788693844091328' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/1511788693844091328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/1511788693844091328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2010/07/mama-africa.html' title='Mama África'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/TC6jmlHpViI/AAAAAAAAAKM/lOwBq2J3n8k/s72-c/Africas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-7124259875828525941</id><published>2009-04-15T10:20:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T14:59:35.081-07:00</updated><title type='text'>Só me resta a poesia</title><content type='html'>Na companhia de Mario Quintana, Enrich Hartmann, Nietzsche e de uma angústia incrível e deliciosa, só me restou a poesia e alguns poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de apresentar-lhes as minhas, deixo-lhes com um fragmento de Quintana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A paleta do pintor,&lt;br /&gt;confusa, inquieta, multicolorida,&lt;br /&gt;é quase sempre mais bela&lt;br /&gt;Do que a pintada na tela".&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Humano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível se esconder atrás da indignação?&lt;br /&gt;Seria esse o caminho?&lt;br /&gt;E se fosse, não é esta a forma mais sublime e infantil de mentir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim...porque indignar-se é mentir&lt;br /&gt;e, por todo modo, mentir é ser escravo da moral&lt;br /&gt;é ser humano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mentir é morrer&lt;br /&gt;sem a entrada triunfal...&lt;br /&gt;enquanto isso sigo poeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico ao Lessa, um Amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma conversa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Causo-me efeito estranho&lt;br /&gt;ouvir tudo isso pareceu-me tacanho&lt;br /&gt;tirou-me, por de vez, a esperança na rebeldia&lt;br /&gt;(a rebeldia santa e sadia..sem propósito, salvo ser rebeldia; salvo ser exceção)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de volta pro conforto vejo cinismo&lt;br /&gt;sinto uma vontade enorme de desistir sair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diálogo com um poeta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo homem é um jardim&lt;br /&gt;imagina-se superior por isso&lt;br /&gt;mente sem pudor&lt;br /&gt;pobre homem,&lt;br /&gt;falta-lhe flor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda sem título&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria enviar uma resposta a ti&lt;br /&gt;desse enorme vazio onde estou&lt;br /&gt;ter a fábula...ah que me dera...&lt;br /&gt;poder flutuar,&lt;br /&gt;ter a fera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na ânsia de te mostrar do que sou feito&lt;br /&gt;um pouco, que seja...&lt;br /&gt;toda a cama,&lt;br /&gt;todo o leite,&lt;br /&gt;toda a lama,&lt;br /&gt;acontece o que, hoje, entendo como o inevitável:&lt;br /&gt;calo-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretensão a minha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calo-me, entenda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________________________________&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-7124259875828525941?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/7124259875828525941/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=7124259875828525941' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/7124259875828525941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/7124259875828525941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2009/04/so-me-resta-poesia.html' title='Só me resta a poesia'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-5040379699632684310</id><published>2009-02-16T08:28:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T08:31:25.291-08:00</updated><title type='text'>Entre o Desespero e a Esperança</title><content type='html'>Joguei-me num abismo&lt;br /&gt;fui ao infinito&lt;br /&gt;era logo ali&lt;br /&gt;numa estação de trem qualquer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era inverno (que melancólica é uma estação de trem no inverno)&lt;br /&gt;trouxe-me uma dor aguda, até com certa ardência&lt;br /&gt;ainda bem que as noites frias aguçam as lembranças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-5040379699632684310?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/5040379699632684310/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=5040379699632684310' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5040379699632684310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5040379699632684310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2009/02/entre-o-desespero-e-esperanca.html' title='Entre o Desespero e a Esperança'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-8718337599263683209</id><published>2009-01-30T20:17:00.000-08:00</published><updated>2009-01-31T08:06:40.180-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Direitos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homossexuais'/><title type='text'>Identidade em formação: Harvey Milk e o ativismo Homossexual</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SYPRSTUMDdI/AAAAAAAAAHg/Y2af8JweTv4/s1600-h/main_milk.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297307699070635474" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SYPRSTUMDdI/AAAAAAAAAHg/Y2af8JweTv4/s320/main_milk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje eu assisti a um filme sobre a vida do ativista Harvey Milk. Brilhantemente interpretado pelo ator Sean Penn. Milk foi o primeiro politico americano abertamente gay a ser eleito para um cargo publico nos EUA. Tornou-se um dos supervisores da cidade de San Francisco. O curioso, e é justamente sobre isso que eu gostaria de tratar, que Milk somente se interessou pela política depois dos seus quarenta anos. Até então, como a maioria dos gays de seu país, escondia a sua identidade sexual por temer todas as represálias sociais que se abatiam sobre aqueles que tinham a sua condição de alguma forma revelada. No não-reconhecimento do comportamento gay – da identidade “desviante” – se inicia a exclusão e, por consequência, a negação da identidade. A UTI social e subjetiva com as portas abertas para os “doentes” sexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axel Honeth, sociólogo alemão, ensina que a base da interação social é o conflito e a sua gramática é a luta pelo reconhecimento&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Partindo de um conceito hegeliano de uma luta por reconhecimento, Honeth desenvolve a sua teoria crítica de teor normativo. Em Hegel ele encontrará os elementos que lhe possibilita se aproximar do que ele chama de gramática moral dos conflitos sociais. Na sua construção teórica Honeth tenta demonstrar que a auto-realização pessoal dependerá da existência de relações éticas. Enquanto reflete empíricamente, Honeth se aproxima da psicologia social de G.H. Mead, do qual retira a idéia do reconhecimento subjetivo, apontando, portanto, padrões simbólicos para a percepção de tal idéia. São eles o amor (que gera a autoconfiança), o direito (auto-respeito) e a solidariedade (auto-estima).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cabe aqui uma construção discursiva sobre como tais conceitos e formas de reconhecimento podem ser aplicados em cada um dos casos de violação da subjetividade e fragmentação negativa da identidade, seja ela qual for. Mas se pensarmos no conflito social em pró dos direitos homossexuais e, antes disso até, na fundamentação narrativa identitária desta minoria, teremos um ferramenta crítica de extrema valia ao observarmos o fenômeno do preconceito e da resistência ao reconhecimento em todos os níveis da homossexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harvey Milk percebeu que sem luta, sem conflito, por fim, sem política, não haveria resposta positiva aos anseios de reconhecimento dos direitos e valores homossexuais. Tanto no aspecto social quanto na esfera pessoal, as resistências eram enormes e, percebendo isso, Milk engaja-se e decide brigar, admitindo que até mesmo a privacidade precisava ser lançada por terra, solapando segredos que tinham por objetivo final não incomodar o &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;. A privacidade, como ele mesmo disse, era a pior inimigo da causa. Era preciso assumir-se gay, para quem quer que fosse. Era preciso tomar as rédeas da indentidade homossexual e reconstruí-la longe das fundações da vergonha e do escárnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conflitos dos ano 70 e 80 nos EUA são frutos da experiência do desrespeito social. Ao partir para o conflito, os movimentos ativistas indicam que, numa leitura teórica, os processos de mudanças sociais devem ser estabelecidos no lastro de ações que buscam re-estabelecer relações de reconhecimento mútuo ou fazê-las progredir em um caminho evolutivo positivo. A luta pelo reconhecimento dos movimentos em defesa dos direitos homossexuais significa, seguindo esta análise, uma força moral, que pressiona os sistemas (família, educação, direito, política, religião) para que estes selecionem suas expectativas e as institucionalize de forma a permitir novas possibilidade semânticas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, resumidamente, pode-se afirmar que Harvey Milk foi um messias do reconhecimento da identidade gay, nos três níveis acima apontados (amor, direito, solidariedade). Percebeu que o discurso do “daremos alguns direitos, mas nos poupem das suas demonstrações de carinho, dos seus ideiais, das suas aspirações”, não tinha conexão com a realidade que os homossexuais e todas as outras minorias deveriam experimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os indivíduos somente se constituem como “pessoas sociais” na medida em que na perspectiva do outro eles sao assim reconhecidos. O grau de auto-realização positiva se desenvolve enquanto suas aspirações e expectativas são reconhecidas como viáveis, possibilitando ao indívíduo se referir a si mesmo como sujeito, inscrito na experiência do amor – possibilidade da autoconfiaça, do direito – auto-respeito – e, por último, na solidariedade – auto-estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Honeth, 1992 (Kampf um Anerkennung)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-8718337599263683209?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/8718337599263683209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=8718337599263683209' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/8718337599263683209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/8718337599263683209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2009/01/identidade-em-formacao-harvey-milk-e-o.html' title='Identidade em formação: Harvey Milk e o ativismo Homossexual'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SYPRSTUMDdI/AAAAAAAAAHg/Y2af8JweTv4/s72-c/main_milk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-3987994381199111187</id><published>2008-11-25T17:38:00.000-08:00</published><updated>2010-01-25T05:17:12.097-08:00</updated><title type='text'>Mudei de assunto. Preferi a poesia</title><content type='html'>A minha intenção era escrever sobre adoção de crianças por casais gays. Mas mudei de idéia, pelo menos por agora. Dei-me conta de que, como Luhmanniano, tenho que admitir que o indíviduo é muito mais importante pra família do que esta seria para o indíviduo.&lt;br /&gt;A seguir cenas do próximo capítulo. Agora, um pouco de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo vazio são teus olhos&lt;br /&gt;Mundo louco&lt;br /&gt;Mundo oco&lt;br /&gt;Mundo meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu grito me é canto&lt;br /&gt;Teu pecado meu santo:&lt;br /&gt;a quem devo certa idolatria&lt;br /&gt;Teu ventre meu cansaço...minha agonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tua cama estão meus medos&lt;br /&gt;Fraquezas que desconheço&lt;br /&gt;No teu peito meu vazio&lt;br /&gt;O teu leite o meu fastio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua é testemunha&lt;br /&gt;da tua masculinidade&lt;br /&gt;da fobia do teu gemido&lt;br /&gt;do gozo frágil e fácil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prefiro que adormeça, agora&lt;br /&gt;exorciza em ti a minha carne&lt;br /&gt;mas deixa-me ao menos as tuas mãos angustiadas&lt;br /&gt;quem sabe um pouco do teu delírio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te vi de verde:&lt;br /&gt;tão miserável e'a tua beleza&lt;br /&gt;É até mesmo casta&lt;br /&gt;Mas como é bom ver-te de verde&lt;br /&gt;Parece uma esperança&lt;br /&gt;Como aquelas de Petrópolis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acerto de contas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é depressão&lt;br /&gt;Mãe opressão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é candura&lt;br /&gt;Mãe é queimadura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é poesia&lt;br /&gt;Mãe atrofia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é estrela&lt;br /&gt;Mãe é bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é filosofia&lt;br /&gt;Mãe é porfia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é mãe e poeta&lt;br /&gt;Mãe é só mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice é escolha&lt;br /&gt;Mãe não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segredos e rimas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi dizer que na poesia rima é importante&lt;br /&gt;Nesse caso sigo errante&lt;br /&gt;De rima a minha poesia carece&lt;br /&gt;Já as minhas preferências&lt;br /&gt;As revelo como uma prece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de meninas&lt;br /&gt;De cães mais do que de gatos&lt;br /&gt;De maçãs mais do que pêras&lt;br /&gt;De sexo mais do que o necessário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de errar, mas de acertar também me valho&lt;br /&gt;Gosto de brincar e se me permitem também ralho&lt;br /&gt;Já gostei de rosas...hoje mais me agradam os cravos&lt;br /&gt;Gosto de chocar e por vezes também malho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São assim as preferências&lt;br /&gt;Surpresas para alguns para outros coincidências&lt;br /&gt;E eu que nunca tive pelas rimas qualquer reverência&lt;br /&gt;Hoje me foram úteis para brincar com impertinências&lt;br /&gt;[não gosto de rimar, mas gosto de parques, feijão e viajar]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relato de um pecado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fostes embora num carro qualquer&lt;br /&gt;Com a obrigação de ser mulher&lt;br /&gt;Teus passos soaram como adeus&lt;br /&gt;Mancharam de expectativas meu lençol&lt;br /&gt;Na manhã seguinte algumas taças e saudade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-3987994381199111187?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/3987994381199111187/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=3987994381199111187' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/3987994381199111187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/3987994381199111187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/11/mudei-de-assunto-preferi-poesia.html' title='Mudei de assunto. Preferi a poesia'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-4020167849933616364</id><published>2008-10-19T18:48:00.000-07:00</published><updated>2011-11-18T12:53:22.311-08:00</updated><title type='text'>Direitos Humanos e Semântica -</title><content type='html'>Pretendendo um modelo mais explicativo e abrangente sobre a evolução social até a modernidade, Niklas Luhmann trabalha, entre outros, com o termo “semântica” para se referir aos conceitos utilizados na sua forma de conceber a sociedade, de modo a dar-lhe sentido e preencher-lhe de conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semântica não se trata de linguagem, simplesmente. Seria muito mais cultural, um estoque de perspectivas presentes nos modos de ver e perceber a sociedade, podendo ser até chamada de ideologia. Funcionaria como uma premissa do fenômeno da comunicação, provendo seletividade. I.e., certos assuntos virão à tona com mais frequência do que outros. Serão mais presentes e objetos de demandas que deverão ser selecionadas pelos sistemas parciais da sociedade. Semântica, então, é resultante das complexidade e diferenciação do sistema social. Não deve ser entendida como tendo uma relação direta com a estrutura social ou sua realidade em si. Pelo contrário, muitas vezes pode não haver contato entre ela e a estrutura, resultando em perda significativa da sua função de orientação da comunicação. Na teoria sistêmica a semântica desempenha papel de extrema importância: complementa o conceito de “sentido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semântica, na teoria de Niklas Luhmann, também não é mera referência ao conteúdo do conceito e nem serve para defini-lo, tão somente. Ela o toma para isso também, mas vai além. Por exemplo, com relação ao amor romântico, ele não se concentra somente no conceito “amor”, mas em todo um estilo de vida ou percepção cognitiva construída sobre a idéia do amor romântico – comportamento, cultura, patrimônio das idéias. Tudo com relação ao tema “amor”. Logo, é a partir da semântica que é possível analisar as relações indiretas que existem entre as alterações de fundo semântico e as mudanças sociais no curso da história. A semântica do sujeito e as alterações percebibas com o processo de evolução social estão diretamente ligadas com a evolução do sistema jurídico, por exemplo&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que isso tem a ver com os direitos humanos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direito é sistema social que aprende ao longo da história. Responde às expectativas externas e as estabiliza internamente, respondendo, como direito, sobre as demandas. É justamente por ser um sistema apto à aprender que é possível a mudança, a evolução (sem ser valorativo, necessariamente). Os direitos humanos são frutos de conquistas percebidas no curso do tempo. Discurso proposto contra status quo determinado. Desde melhores condições de trabalho na Europa industrializada até o clamor por direito de igualdade formal das minorias sexuais brasileiras nos último anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde entra a Semântica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a partir da semântica que é possível perceber mudanças sociais no curso da história. Ela surge na modernidade, com relação aos direitos humanos, como a força normartiva da constituição. Não se trata mais de algo valorativo, do reconhecimento de se atender determinadas expectativas com finalidades morais. Na modernidade direitos humanos é resultado real, formal, da concretização das normas da Constituição Federal. Na ausência dessa concretização o texto é frágil, sem sentido aparente, uma vez que não tem significado normativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual é o problema brasileiro com relação aos direitos humanos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concretização das normas constitucionais, garantidoras, em princípio, dos direitos humanos, se realiza com forte interferência, que bloqueiam, continuamente, o seu processo de concretização. Isso se dá por interferências de outros sistemas sociais, como a política e a economia, que, com forte influência sobre o direito, afetam a sua autonomia funcional. Desta forma, como sugere Marcelo Neves (2006), os direitos humanos permanecem como fachada de uma realidade estranha à cidadania. Se considerarmos que a constituição é reflexo do discurso presente na esfera pública pluralista, ou seja, desenvolve-se como mecanismo viabilizador da inclusão social, iremos concluir que o bloqueio a sua forma de operar significará concretização insuficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que isso tem a ver com as minorias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo. A cidadania é acesso indiscriminado aos procedimentos constitucionais. Essa é a base da igualdade formal, necessária à caracterização do Estado Democrático de Direito. No momento em que a voz da esfera pública é calada, manipulada ou mal construída, os direitos humanos realmente concretizados serão reflexos de tais demandas e da forma como estas chegaram ao sistema jurídico. A luta pelos direitos humanos, dessa forma, passará sempre pela capacidade crítica da esfera pública e, necessariamente, pela afirmação da própria Constiuição Federal frente aos arbítrios particulares e forças políticas e econômicas com intuito de manipulação das suas normas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Não é difícil comprovar essa afirmação se olharmos para a passagem do direito natural para o direito positivo ou até mesmo no desenvolvimento dos direitos humanos (Verschraegen, 2002: 260-61)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-4020167849933616364?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/4020167849933616364/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=4020167849933616364' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/4020167849933616364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/4020167849933616364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/10/direitos-humanos-e-semntica-uma.html' title='Direitos Humanos e Semântica -'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-6234922998932887558</id><published>2008-10-02T15:18:00.001-07:00</published><updated>2008-10-04T08:11:33.651-07:00</updated><title type='text'>Deuses insepultos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SOVJJx2lVGI/AAAAAAAAAGY/LL4RV4mtzNg/s1600-h/01122007073.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252684972747478114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SOVJJx2lVGI/AAAAAAAAAGY/LL4RV4mtzNg/s320/01122007073.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O século XIX foi marcado por uma descoberta filosófica que tentou desconstruir narrativas de mundo estabelecidas, principalmente, por idéias metafísicas a respeito da vida: cultura, moral, existência dependente de outro ser que não ele mesmo. Foi uma choque de realidade real. Por trás do espírito estava a economia (Marx), por trás da especulação a existência mortal (Kierkegaard), a vontade por trás da razão (Schopenhauer), e o impulso por trás da cultura (Nietzsche). Mas alguns filósofos questionaram esse modelo, afirmando, como Heidegger, que esses avanços críticos ainda mascaravam tentativas de estabelecer concepções de mundo que funcionariam como abrigo, não revelando a verdadeira radicalidade da potencialidade do ser humano. A isso ele dava o nome de “potencialidade da vida” – o lugar de produção de, absolutamente, todas as auto-interpretações e imagens da realidade. Para essa mesma realidade Heidegger deu-lhe o nome de vida fática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida fática é jogada no vazio, desamparada. Não é sustentada por qualquer instância metafísica. Nesse nada, no vazio absoluto da existência, a vida fática encontra o ser-em-si-mesmo (Dasein), no seu estado bruto, sem amarras, valores. Nessa vida não há nada que justifique uma fé religiosa ou outro valor semelhante de verdade. A idéia medieva de que existe uma transição fluída entre ser-humano infinito e verdade é descartada, assim como o Deus administrado pela Igreja. A esse Deus Heidegger chama de tesouro das verdades. É fruto de uma narrativa de uma instituição soberana que não encontra limites para manutenção do seu poder sobre vidas. Esse tesouro torna-se sempre disponível para todos que não aguentam o fardo de encararem a vida fática e o &lt;em&gt;dark environment&lt;/em&gt; da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente a partir daí que sugiro algumas perguntas que nos servem para questionar tesouros de verdades que encaramos todos os dias e que, por vezes, é tão difícil de resistir: seria Deus de fato tão disponível? Seria Deus um ser temporal? Seria ele um bem sempre a disposição? E se bem fosse, poderia ser Deus outra coisa que não Deus? Por exemplo, poderia ser Deus a própria cultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez Deus seja tão indisponível quanto o tempo, que na sua contigencialidade não admite retornos absolutos, correções absolutas de ações tomados no seu curso. Talvez, só talvez, a Igreja esteja sendo, ou já fôra, corroída pelas catedrais da metafísica e pela ânsia do poder porque resiste a compreender a Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Nesta ocasião o sacerdote lembra, para os que jactam-se de terem uma relação especial e mítica com Deus, a palavra dita por Cristo: “Contenta-te com a minha graça; pois a minha força se aperfeiçoa na fraqueza”. Talvez, como bem buscou mostrar Luthero, basta apenas o encontro com a graça a partir da qual as catedrais da metafísica e da teologia desmoronam e com elas a pretensão de um Deus disponível, interpretado, numa verdadeira atividade hermeneutica histérica e manipuladora. Talvez a temporalidade de Deus, assim como o louvor à cultura, possam ser tentativas, vãs, do ser humano de encontrar paz para as suas angústias e fragilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente nesse perspectiva, um abismo entre a realidade Deus e o homem, que Heidegger convoca o mistério do tempo (a imprevisibilidade da graça citada por Paulo) para provar que a vida fática é, em absoluto, separada de Deus. A partir dessa relação os prédios e fundações da metafísica, tal e qual o Deus Católico Apostólico Romano (e não Romano), a cultura como início, meio e fim das identidades – transitórias e fragilizadas por essa mesma adoração à transitoriedade – desabam, implodem, tornam-se quimeras, lendas e contos míticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso que as catedrais da metafísica estejam apartadas do mundo, da vida fática, para que se compreenda, como diz Heidegger, a pura mundanidade do mundo. Podemos traduzir este termo, com todas as licenças, para "existência". Os deuses sucedâneos, como todoas citados até aqui, precisam estar fora do mundo para que este se perca totalmente e seja depois reconquistado em uma autoconsciência de proporções universais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;____&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse sentido, a teologia está em crise, da mesma forma que em crise está a cultura, e por sua vez a formação de identidades e, também, as expectativas com relação a essas mesmas identidades. Karl Barth, teólogo alemão, afirma que o Deus da cultura está doente. Era tempo de guerra quando Barth fez essa afirmação. Não vejo diferenças profundas para hoje. Em um mundo onde as verdades são construídas e derrubadas à mínima ventania, onde os mercados vendem redenção em um dia e no outro patrocinam espetáculos apocalípticos, onde a certeza é fundada no discurso da mídia que, sem o menor pudor, se prostitui e as vendem no momento seguinte. Nesse mundo caótico, com religiões fundamentalistas que matam em nome de Deus, um mundo onde homossexuais ainda são considerados uma praga diabólica, doentes, onde valores são idolatrados e transfomados em deuses dogmáticos (o que falar dos valores propagados pelo cinema de Hollywood, pelas novelas, pelos discursos dos banqueiros, pelo exemplo da política corrupta do ganha ou ganha, das universidades que comercializam conhecimento sem o menor escrúpulo, com chancela do Estado?). Neste mundo Barth talvez consideraria também a idéia de que Deus está doente. Ou, podendo até radicalizar, talvez Deus esteja morto e insepulto, como afirmou Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe a transição fácil para Deus. Deus é a absoluta negação do mundo e dele extrair qualquer conceito mundano é um erro. A interpretação da verdade - que para Igreja é a bíblia, para o judaismo a torah, para o islamismo o alcorão – é realizada sob o signo da certeza. Não há nada que não seja exatamente como interpretado é nos pu'lpitos mundo a fora. Podemos chamar isso de um confisco cultural de Deus. E a cultura, da mesma forma que o Deus cultural, torna-se, ela também, até muitas vezes em contraposição aos dogmas das catedrais da verdade, outro deus, com a mesmas pretensões redentoras. Modelos de identidade, idealizações de comportamento, regras morais e sociais são refúgios de uma errônea, a meu ver, valorização da cultura. Um espaço perfeito para a fuga da angústia – essa sim, tão necessária à compreensão do ser-em-si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse mesmo mundo que está em crise nos dá um horizonte para tantas possibilidades de redefinição das identidades sem amarras embriagadas no mel dos deuses mundanos e diponíveis. A identidade moderna se fragmenta, deslocando-se ideais e modelos de classes, sexualidade, etnias, percepções de nacionalidade. Antes sólidas e deitadas no berço esplêndido dos jogos sociais, que pouca ou nenhuma surpresa poderiam prover, a identidade moderna está na eminência de se jogar no nada e dele ressurgir. Não há fronteiras definidas e os deuses, sugiro eu, devem ser encarados com a força da potencialidade da vida, da existência. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;___________________&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Toda filosofia, que se compreenda a si mesmo naquilo que ela é, tem de saber o como fático da interpretação da vida, exatamente quando ainda tem um pressentimento de Deus, que do ponto de vista religioso esse voltar da vida sobre si mesmo é levantar a mão contra Deus. Mas só assim ela se posta honestamente diante de Deus, conforme a possibilidade de que dispõe; mantendo-se livre do cuidado (Besorgnis) sedutor inspirado na religião" Heidegger (Phänomenologische Interpretationen zu Aristoteles: Anzeige der hermeneutisches Situation). &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-6234922998932887558?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/6234922998932887558/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=6234922998932887558' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/6234922998932887558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/6234922998932887558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/10/deuses-insepultos.html' title='Deuses insepultos'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SOVJJx2lVGI/AAAAAAAAAGY/LL4RV4mtzNg/s72-c/01122007073.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-314051404253714271</id><published>2008-09-13T21:47:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T21:55:11.136-07:00</updated><title type='text'>Uma breve resposta</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SMyYA0Cj6pI/AAAAAAAAAE0/qTmxuT4dYvY/s1600-h/01122007062.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245734805716593298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SMyYA0Cj6pI/AAAAAAAAAE0/qTmxuT4dYvY/s320/01122007062.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um dia me perguntaram porque eu escrevia tanto sobre o homossexualismo em geral. Bom, depois da surpresa dessa pergunta e alguns minutos tentando respondê-la, posso dizer que escrevo porque sinto que de algum modo, em alguma instância, devo isso a minha filha. A minha intenção quando escrevo sobre questões polêmicas – que já não deveriam ser – é tentar trazer um alívio e ao mesmo tempo, ainda que possa parecer paradoxal, um incômodo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alívio pra mim, pelo menos. Sinto-me na obrigação de trazer assuntos sobre preconceito, dogmas, verdades absolutas à luz das simples e necessárias curiosidades. Não sei receber informação sem questionar, não sei viver em um mundo onde respostas prontas são muito mais bem vindas do que perguntas aparentemente sem respostas. Não quero mesmo compartilhar de um mundo e nem deixá-lo fácil às mãos da Victória, onde as verdades estão dadas por uma instância-dinâmica qualquer: modelos de comportamento e de consumo, dogmas de toda sorte, ideologias absolutas. Prefiro o alívio de tentar espalhar um voz, ainda que baixa, que traduza um sacerdócio das perguntas que como respostas somente podem gerar outras perguntas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O incômodo, eu credito inteiramente aos que me lêem e não concordam em nada ou quase nada sobre o que escrevo, particularmente quando o faço tratando de temas ainda polêmicos. Gostaria de não mais escrever sobre a necessidade de se respeitar as escolhas de cada um. Desejo não mais ter que escrever contra os modelos de comportamento idiotizantes e totalizantes que nos impõe o establishment social-cultural-religioso. Importante que se diga que não acho que as opiniões, ainda que controversas e confusas, devam ser caladas. Não tenho o modelo perfeito e, como uma alma inquieta e errante de mim mesmo, acho mesmo que esse tal modelo é balela. O perfeito pode ser talvez a busca do perfeito. O perfeito em si, como essência, se perde rapidamente nos milhares de discursos conflitantes sobre ele mesmo. Assim como se esvai a vã tentativa de determinar formas ideais do existir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Talvez escreva porque acredite que o mundo precise desmoronar e as precisas afirmações, os corretos julgamentos devam dar lugar a um tipo de desamparo metafísico que nos permitirá então descobrirmos a vida, ou como Heidegger prefiriu chamar – e ele mesmo teve a chance de descobrir: facticidade e existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-314051404253714271?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/314051404253714271/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=314051404253714271' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/314051404253714271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/314051404253714271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/09/uma-breve-resposta.html' title='Uma breve resposta'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SMyYA0Cj6pI/AAAAAAAAAE0/qTmxuT4dYvY/s72-c/01122007062.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-5247591482868492060</id><published>2008-09-11T07:56:00.000-07:00</published><updated>2008-09-11T08:15:05.614-07:00</updated><title type='text'>Algumas poesias</title><content type='html'>Estive no Rio por alguns dias e, confesso, estou cheio de palavras, conexas e desconexas, para lançar aos julgamentos. Mas a poesia foi mais forte, sorrateiramente entrou na fila e se pôs como necessidade. O próximo post será prosa ou, como já ouvi, texto de verdade. Talvez poesia não seja texto de verdade, mas, em meu caso, é vida a valer, ainda que se imponha muitas vezes como o espaço ideal da negação da própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sonhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se um dia ao acordar,&lt;br /&gt;ainda com os olhos melados de sono e de sonhos,&lt;br /&gt;te vier a notícia que não és quem imaginas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem toda a certeza desse mundo te seria útil&lt;br /&gt;Os sonhos da noite passada não seriam teus&lt;br /&gt;e só essa notícia, mas nada;&lt;br /&gt;nem uma pista sobre a tua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terias que procurar&lt;br /&gt;e, num espanto, mergulhar em ti mesmo&lt;br /&gt;é assim a vida para alguns: absoluto desconforto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No céu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pássaro com asas de ferro&lt;br /&gt;coração martelo&lt;br /&gt;voa de volta e leva consigo&lt;br /&gt;a minha revolta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Descoberta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Volto do Rio de Janeiro com uma certeza:&lt;br /&gt;boa parte dos meus anos não vivi.&lt;br /&gt;Sou louco? Não, estou nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um amigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma Passagem&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingos Ferreira, ribeira.&lt;br /&gt;Sentido algum [se contar é o que vão dizer]&lt;br /&gt;Desejos, expectativas...&lt;br /&gt;Ingredientes do que nasce – qualquer coisa&lt;br /&gt;No caso da Domingos uma amizade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Bahia, é Pernambuco&lt;br /&gt;É Rio, é Londres&lt;br /&gt;Caminhos de chegada&lt;br /&gt;Pontos de encontro&lt;br /&gt;A própria contradição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É improvável o provável: a relação [distantes realidades]&lt;br /&gt;Num eixo comum a percepção da possibilidade [sempre necessária àqueles que acreditam que o mundo é além de tudo passagem]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do Rio São Francisco,&lt;br /&gt;entre Angicos e Piranhas&lt;br /&gt;remete-me logo à idéia de passar, tal e qual Copacabana&lt;br /&gt;Domingos Ferreira – entre Constante Ramos e Santa Clara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copa não é o Rio [São Francisco]&lt;br /&gt;Mas é, como ele, permissiva&lt;br /&gt;Por isso lembrei-me do Velho Chico&lt;br /&gt;E no afã de dizer-te amigo faço desta poesia um convite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henrique Blecher&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-5247591482868492060?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/5247591482868492060/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=5247591482868492060' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5247591482868492060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5247591482868492060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/09/algumas-poesias.html' title='Algumas poesias'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-7662476947553723329</id><published>2008-08-13T20:47:00.000-07:00</published><updated>2008-08-13T21:00:10.186-07:00</updated><title type='text'>Conhecendo um filósofo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SKOrZC7U4CI/AAAAAAAAAEc/flJtsefHMRo/s1600-h/0804732183.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234215638705430562" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SKOrZC7U4CI/AAAAAAAAAEc/flJtsefHMRo/s320/0804732183.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A meu ver o filósofo Giorgio Agamben&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, na sua obra "Homo Sacer: sovereign power and bare life", nos dá um exemplo claro que é sim possível estar excluído quase que totalmente da sociedade moderna. Neste livro, Agamben busca conectar o problema da pura possibilidade, potencialidade e poder com a questão, também problemática, da ética social, em um contexto onde se perdeu seu suporte religioso, metafísico e cultural. Seria a vida sem rédeas, crua, sem possibilidades de perdão, porque há somente a sanção, transmutada na morte ou mesmo em uma vida sem vida. É a partir da análise que faz da idéia de biopolítica de Foucault que Agamben visita a história do poder político com uma atenção especial ao Nazismo e às práticas de disceminação do terror contra o povo judeu, as minorias sexuais e os negros. A noção do homem como animal político é retirada de Aristóteles, mas no livro de Agamben este homem é degradado, separado de sua própria consciência. A idéia de sacralidade é fundamental para Agamben e é associada à de soberania. Retirando de Carl Schmitt a concepção que este tem de soberania como um status que permite a exceção das regras, Agamben define a pessoa sagrada como aquela que pode ser morta, mesmo permanecendo viva. Um paradoxo, segundo ele, que se impõe na sociedade moderna de controle sobre as vidas dos indíviduos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O exemplo de Agamben é um indíviduo (Homo Sacer) que existe como um exilado de si mesmo, de seus direitos. E o paradoxo reside na hipótese de que somente a sociedade normatizada pode reconhecer um indíviduo como este. É o direito que define que a exclusão deste Homo Sacer é a própria garantia de sua identidade. Ao sustentar que a vida existe em duas capacidades, sendo uma natural biológica (Zoë) e a outra política (bios), Agamben estabelece a sua forma de distinção da vida e da condição do indíviduo de se estar ou não incluído. Zoë, é, como idéia, construído em cima da descrição que Hannah Arendt faz dos campos de concentração, com especial foco nos refugiados&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. O Homo Sacer, afirma Agamben, é fruto das regulações biológica e política. Como um “bare life”, o Homo Sacer se encontra submetido a este estado de exceção que Schmitt menciona, tendo as suas vidas biológica e política perdido a significância. Paradoxalmente, é o direito da exceção, garantido constitucionalmente na Alemanha Nazista, que confere ao Homo Sacer a condição de exclusão, por estar incluído – como um preso nos campos de concentração. A normatização é a garantia do abandono que vem de fora e que também se apresenta internamente. Ele deixa de querer ser vida, relega suas formas transformadas, que um dia foram de um indíviduo, à sorte do tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agamben compara o Homo Sacer aos refugiados e aos presos nos campos de concentração nazista, mencionando que os judeus foram violentados e exilados da sua cidadania antes mesmo de entrarem nos campos de concentração&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. O direito garantiu-lhes outros níveis de inclusão pela quase absoluta exclusão. Digo quase absoluta, porque havia leis que regiam os campos e somente com elas poderíamos estabelecer algum tipo de conexão com os presos. Aí havia inclusão&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Agamben, 1998.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Hannah, 2000 (Origem do Totalitarismo).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Agamben, 1998: 132 ss&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4963545002286268352#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Agamben menciona: “the so-called sacred and &lt;a title="Inalienable rights" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Inalienable_rights"&gt;inalienable rights&lt;/a&gt; of man prove to be completely unprotected at the very moment it is no longer possible to characterize them as rights of the &lt;a title="Citizenship" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Citizenship"&gt;citizens&lt;/a&gt; of a state[4]". Agamben, 1998: 124 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-7662476947553723329?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/7662476947553723329/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=7662476947553723329' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/7662476947553723329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/7662476947553723329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/08/conhecendo-um-filsofo.html' title='Conhecendo um filósofo'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SKOrZC7U4CI/AAAAAAAAAEc/flJtsefHMRo/s72-c/0804732183.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-7042909320034109253</id><published>2008-08-10T15:03:00.001-07:00</published><updated>2008-08-11T10:08:33.759-07:00</updated><title type='text'>A modernidade é o espaço adequado para o exercício da consciência</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SJ9muZz9chI/AAAAAAAAAD0/CN1N8pJKd_8/s1600-h/_40641406_ap300priest.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233014239416644114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SJ9muZz9chI/AAAAAAAAAD0/CN1N8pJKd_8/s320/_40641406_ap300priest.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em tempos em que se conclama que o mundo está cada vez mais desumano, as pessoas cada vez mais individualistas, as instituições mais pragmáticas, descosiderando aspectos humanitários que, eventualmente, devem estar presentes nas relações entre o indivíduo e o Estado. Uma era em que podemos perceber que ao invés de nomes as pessoas ganham números e por eles são reconhecidos. O mercado financeiro, absolutamente virtual, sem fronteiras, sendo considerado em todos os níveis pelos “decision makers” do planeta, muitas vezes mais ainda do que as pessoas. “All matters is money”, famoso jargão da bolsa de valores de Londres. Individuos? Governo? Dinheiro define políticas e organizações, financeiras e não-financeiras, influenciam partidos, congressos, tribunais – em todos os níveis – e de certo que o aspecto humano não é a sua preocupação principal. Sem contar a mídia, a tecnologia de última geração, ocupando, flagrantemente, o espaço das relações interpessoais e construindo cenários de consumo de todos os tipos de produtos, serviços e comportamentos, em uma dinâmica de re-elaboração das necessidades e das expectativas. Tudo isso vem em companhia de uma desumanização biotecnológica da própria humanidade. Poder-se-ia chamar este século de “biotech century”, conforme sugere Nikolas Rose, no seu livro mais recente “The politcs of Life itself: biomedicine, power, and subjectivity in the twenty-first century”. Na visão do sociólogo da London School of Economics, seria uma era de maravilhas, mas também de problemas sérios, em especial no que tange a medicina. Bio-genética, diagnósticos realizados com pré-implantação genética e clonagem: um mundo no qual se reconstrói a propria idéia sobre qual seria de fato a dimensão humana. Não à toa que Georges Canghilhem sugere que a biologia contemporânea seria, de alguma forma, a filosofia da própria vida, em todas as suas nuances. Uma série de críticos, de várias áreas do conhecimento científico, arguem que os avanços tecnológicos na área da biomedicina, especialmente os projetos que envolvem genética, vão sedimentar uma nova concepção de seres-humanos que individualizarão o que chamam de “human worth”, promovendo variações nas capacidades, reduzindo a importância da ação individual para a construção dessas mesmas capacidades e excluíndo, preferencialmente, aqueles que serão considerados “não-normais”. Um novo determinismo genético que se baseia na falsa mística do poder dos genes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente nesse cenário que o sociólogo alemão Niklas Luhmann, recebendo muitas críticas, sendo até chamado de anti-humanista, afasta a sociedade da ideia humanista de que o homem estaria na sociedade, ou, para os antropocêntricos, constituiria-se, para ela, o centro primordial. Para Luhmann, a forma central de relacionamento na modernidade se dá entre sistemas sociais e seu ambiente, não mais entre indíviduos e sociedade. Tal idéia é condição primordial para a compreensão do que seria uma sociedade: seus elementos, operações, estruturas e dimensões. É justamente esta chave de leitura “anti-humanista” que quero utilizar para provocar a reflexão sobre o movimento de defesa dos direitos das minorias, em epecial os homossexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem, seja no seu aspecto físico ou de sua psiquê, está absolutamente fora da sociedade e dela não participa, salvo quando tem suas expectativas por ela absorvidas. Esvaziando a sociedade de humanismo, Luhmann a concebe não mais como um espaço construído e regulado por uma agência de postulados individuais, mas sim por uma lógica própria que vai lhe proporcionar ser protagonista de si mesmo, revelando altíssima complexidade e particular forma de organização. Antes da histeria do tipo “como pode uma sociedade sem homens?” é preciso refletir. E, penso eu, que os movimentos de defesa dos direitos das minorias são bons exemplos para iniciarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já escrevi, gays e lésbicas sofrem no Brasil, e em outros países da América Latina, de um heterossexismo moral. Uma sociedade que, através de suas normas, privilegia os heterossexuais. Paralela a esta realidade está a idéia moral de que a família ideal é a heterossexual, em uma clara demonstração de uma homofobia que suporta a desvalorização cultural da homossexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sistemas sociais, espaço de forte regulação e normatividade, pouco ou nada podem fazer com relação a isso. Até porque não podem conhecer sob o ponto de vista valorativo das agruras por que passam as minorias. Daí a teoria de Luhmann mostrar uma saída fundamental e que pode nos levar a justamente reforçar a idéia de uma sociedade sem homens, mas com muito mais possibilidades. Luhmann faz uma clara referência às consequências de localizar o ser humano no ambiente da sociedade, adivertindo seus críticos do provável equívoco de interpretação dessa parte de sua teoria: “If one views human beings as part of the environment of society – instead as part of society itself –, this changes the premisses of all traditional questions (...) It does not mean that the human being is estimated as less important than traditionally. Anyone who thinks so – and such an understanding either explicitly or implicitly underlies all polemics against this proposal – has not understood the paradigm change in system theory”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano é muito importante e, por ser extremamente complexo, rico em possibilidades do agir e aberto a inúmeras e diversas formas do vivenciar, o seu lugar não poderia ser outro: fora, absolutamente fora da sociedade. Os movimentos de defesa dos homossexuais, em todos os planos, correspondem a uma parte da riqueza do ambiente não-societal. Justamente por estarem fora de uma realidade extremamente regulada, normatizada e dentro de um espaço onde é possível leituras valorativas acerca das questões da vida humana, devem continuar e estimular a construção dos seus valores e de seus propósitos. Suas expectativas devem ser continuamente reapresentadas aos sistemas sociais, como a política (no reconhecimento legal dos direitos e obrigações advindas de uma relação homoafetiva), o direito (com a interpretação cada vez mais coerente dos princípios e garantias constitucionais), da família (reafirmando a idéia da família homossexual e combatendo o discurso moral da família ideal que é reproduzido na igreja, nas leis, nos tribunais e até mesmo entre os homossexuais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse pequeno artigo é para provocar aqueles que acham que movimentos de defesa dos direitos das minorias transmitem um certo ar histérico. Especialmente quando eles são relacionados com causas que sofrem tanto preconceito. Esse espaço é deles, é nosso, é de quem realiza que a consciência, nas suas mais complexas formas de expressão, é livre, graças a uma sociedade moderna sem homens.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-7042909320034109253?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/7042909320034109253/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=7042909320034109253' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/7042909320034109253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/7042909320034109253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/08/modernidade-o-espao-adequado-para-o.html' title='A modernidade é o espaço adequado para o exercício da consciência'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SJ9muZz9chI/AAAAAAAAAD0/CN1N8pJKd_8/s72-c/_40641406_ap300priest.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-1667005470375125914</id><published>2008-08-09T12:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-09T12:37:20.802-07:00</updated><title type='text'>Propondo o Óbvio</title><content type='html'>Segue abaixo, na íntegra, o artigo publicado no jornal O Globo (Opinião), de 09 de agosto de 2008. Um manifesto, um grito, uma tomada de posição contra as barbáries cometidas pela Polícia Fluminense e suportada por uma política de segurança pública de confronto , na nossa opinião, absolutamente equivocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem apóia a barbárie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Londres, 8 de julho de 2008. Manchete em site de noticia: “Secretário de Segurança do Rio diz que a polícia errou no caso de menino”. Penso em mais uma bala perdida ou intervenção desastrada da polícia. Não vale a pena ler. Londres, 9 de julho de 2008, leio a informação de que o neto de meu pai foi morto pela polícia do Rio de Janeiro. Não, não foi uma bala perdida. Foi uma execução a sangue frio, como aquelas que nos acostumamos a ver em filmes americanos. Uma execução conduzida por quem deveria nos defender. Mais de 17 tiros disparados em uma mãe e duas crianças, que por total incompetência dos atiradores, levou apenas a vida de João Roberto. Mas matou um menino de três anos que sonhava em ser o Homem Aranha, talvez para nos proteger dessa mesma polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Londres, 10 de julho de 2008. Finalmente a ficha caiu. O Rio definitivamente é violento, a polícia é corrupta, mas nós, cariocas, que sabemos disso há tantos anos e continuamos permitindo que isso aconteça somos o quê? Apenas vítimas? Omissos? Impotentes? Um pouco de cada, mas o mea culpa pós-trauma levou um grupo de brasileiros intelectuais temporariamente exilados a pensar que a elite brasileira, e principalmente a carioca - nós inclusive - também é culpada. Sabemos que a polícia executa, a sangue frio, bandidos e inocentes nas favelas diariamente e pouco discutimos o assunto, salvo em época de eleição. É mais uma notícia que não vale a pena ler. Chancelamos que o Governador do Estado do Rio de Janeiro, eleito com nosso voto, declare na revista Piauí em novembro de 2007, em meio a uma ofensiva da polícia na favela do Complexo do Alemão: “confronto gera stresse, não tem outro caminho. Mas agora eu posso garantir a você que hoje a marginalidade tem uma outra postura em relação à sociedade e às ações porque sabe que vai ter reação da policia e reação com o apoio da sociedade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com o “apoio da sociedade” que a polícia mata e não manda recibo. Não há qualquer constrangimento. Sob o manto sagrado da impunidade e com a legitimidade garantida por uma política de “confronto” proposta pelo atual governo, a polícia torna-se a viabilizadora dos sonhos mais obscuros da sociedade: eliminação da “marginalidade”. A polícia se converte então em uma espécie de “justiceiro”, fazendo o trabalho sujo, eliminando o mal, mesmo que com uma baixa ali outra aqui de alguns inocentes. É isso, somos todos coniventes com a barbárie das sentenças de morte sem julgamento e com a falência do Estado Democrático de Direito. E a palavra ‘Todos’ envolve principalmente os cariocas, mas também os brasileiros em geral. Após mais uma trágica intervenção da mal preparada polícia fluminense, imaginamos que algum tipo de punição aos culpados pudesse ocorrer e o Secretário de segurança simplesmente sentou à messa, jantou e dormiu. Com mais uma execução de presente da polícia, acordou, ainda Secretário de uma política desastrosa de confronto. Executar a sangue frio aparentemente é um direito da polícia fluminense e ter alvejado uma família inocente e indefesa foi apenas um erro. Ou como disse o Governador, na mesma entrevista à revista Piauí sobre a morte de uma menina de quatro anos em confronto: “acontece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, temporariamente exilados, que talvez por estarmos no exterior tenhamos nos descontaminado um pouco da letargia e sensação de impotência que facilmente nos domina quando assoberbados e oprimidos pela tumultuada rotina brasileira, queremos convocar a todos que querem o resgate do Estado Democrático de Direito no Brasil e, especialmente no Rio de Janeiro, a debater e a propor encaminhamentos para dizer a nossos políticos qual é a sociedade que queremos. Ficam aqui duas propostas. A primeira, que a imprensa abra um espaço específico, não só as cartas dos leitores, para que aqueles que têm algo a dizer possam contribuir para uma discussão sistemática sobre como resgatar os valores e princípios da nossa sociedade. A segunda é o início de um movimento pela justiça. Vamos começar a cumprir a lei no nosso dia a dia e talvez comecemos a mandar um recado de que queremos respeito à Lei, não só quando o desrespeito nos afeta, mas sempre. Talvez possamos transformar o Rio de Janeiro em algo mais do que um cartão postal: bonito de ver, mas, impossível de habitar. Talvez possamos evitar que todos nós brasileiros tenhamos que perder entes queridos para entender que a melhor maneira de proteger a vida é respeitá-la."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thaís Linhares-Juvenal é economista do BNDES e mestranda de Política Ambiental e Regulação na London School of Economics and Political Science (LSE). Recebeu a notícia do falecimento de João Roberto e iniciou a mobilização junto a membros da academia e profissionais liberais pela reconquista dos valores da sociedade carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Henrique Blecher é advogado, mestre em Filosofia do Direito pela PUC-São Paulo e mestrando em Teoria Social e do Direito pela LSE.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-1667005470375125914?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/1667005470375125914/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=1667005470375125914' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/1667005470375125914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/1667005470375125914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/08/propondo-o-bvio.html' title='Propondo o Óbvio'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-5524623262725949491</id><published>2008-04-11T22:17:00.000-07:00</published><updated>2008-04-11T22:23:32.283-07:00</updated><title type='text'>Cenas de uma manhã londrina</title><content type='html'>i&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde estou, com tanta loucura&lt;br /&gt;Jamais saberia – nem mesmo sei se és, tu, a verdadeira razão a que me ponho nu&lt;br /&gt;Sem mágoas, sem rédeas, nem mesmo as morais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ti, que nem mesmo consigo perceber ao certo&lt;br /&gt;Teus olhos mentem, manchados com as águas da solidão&lt;br /&gt;Tudo se esconde&lt;br /&gt;E eu me escondo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se quero ver-te como és&lt;br /&gt;a fantasia é boa porque é escrava da nossa própria ignorância&lt;br /&gt;dos nossos lamentos – fraquezas de caráter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixa...Repousa em mim como não és...Adormece, nua&lt;br /&gt;Pecadora, adormece tuas mãos nas minhas...desfalece, sonha&lt;br /&gt;e quando chegar a hora do amannhã&lt;br /&gt;de por o leite e a vergonha à mesa (como é árido encarar a vida pela manhã – a manhã traz um odor insuportável de novidade)&lt;br /&gt;poderei dizer-te dos meus sonhos...Especialmente de não ter a ti como de fato és (passo parte das minhas horas tentando te esquadrinhar em cadernos, nos bares...Confissão idiota!!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderei, quem sabe, calar-me&lt;br /&gt;Malatratar-te como fazes, usualmente&lt;br /&gt;Calar a minha consciência – privá-la de ti&lt;br /&gt;Experimentarás um pouco, ainda que seja num instante, a dor do desconhecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inciou-se a manhã&lt;br /&gt;A lua não te ama, sequer te protege&lt;br /&gt;Permite ao sol te maltratar (a luz, e não a escuridão, é responsável pelo tempo que passa, nos deixando para trás, trapos, sombras daquilo que um dia pensamos ser)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-5524623262725949491?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/5524623262725949491/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=5524623262725949491' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5524623262725949491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5524623262725949491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/04/cenas-de-uma-manh-londrina.html' title='Cenas de uma manhã londrina'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-5343102225738410511</id><published>2008-03-27T18:31:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T14:21:11.258-08:00</updated><title type='text'>Sonhos e a Lagoa Rodrigo de Freitas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R-xN8lc46NI/AAAAAAAAADE/wCS-TeTE_-g/s1600-h/lagoa1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182602974437370066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R-xN8lc46NI/AAAAAAAAADE/wCS-TeTE_-g/s320/lagoa1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estou na Lagoa Rodrigo de Freitas e ela também está em mim&lt;br /&gt;Nas suas águas, sujas, está o meu rosto, refletindo a essência - tristeza&lt;br /&gt;e passeando pela lagoa muitas outras gentes, rostos encardidos de sonhos não realizados (para onde vão os sonhos que morrerão antes mesmo de experimentar o fracasso?)&lt;br /&gt;cariocas, paulistas, mineiros e nordestinos&lt;br /&gt;Brasileiros, cidadãos pescados por suas próprias redes – suas mentiras, seus ideais, seus mundos que não existem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora plano sobre o espelho d´água, como um pássaro a procura de um pouso sereno - quem sabe a morte, o mais sereno de todos: o fim, o eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo homens e peixes&lt;br /&gt;escamas e almas&lt;br /&gt;sinais e crianças,&lt;br /&gt;que jogam, faceiras e esfomeadas, seus limões para cima, seus sonhos para longe (talvez os sonhos virem limões quando morrem...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de mim uma imagem quieta a passear pelos lados do pecado, da culpa e do perdão&lt;br /&gt;em companhia de um cardume, não de peixes...de sonhos,&lt;br /&gt;e vejo as crianças, que ainda estão lá com seus limões e corações cítricos&lt;br /&gt;seus olhos aparentando cansaço&lt;br /&gt;Seus corpos magros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo homens numa batalha épica contra outros homens&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;----*-----&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Agradecimentos:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Queria agradacer aos comentários que recebi no último post. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lessa, valeu pelo apoio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vera, obrigado pelas palavras de entusiasmo. Os assuntos locais são sempre universais. Como faço para entrar em contato? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Arnaldo, teu site é ótimo e com certeza me servirá de guia para escolher bons romances.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eduardo, pegue firme no blog. Passei por lá e gostei. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Jean, muito obrigado pelo elogio ao meu blog. Pena que você não conseguiu deixar um comentário, mas tenta de novo. Mas eu entendo, deixar comentários às vezes pode ser mais difícil do que ganhar o BBB (nossa, essa foi péssima...rsrs). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, por último, agradeço ao Lajos pela divulgação. Vi o seu comentário no blog do Jean Wyllys e me senti honrado por tamanha torcida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-5343102225738410511?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/5343102225738410511/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=5343102225738410511' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5343102225738410511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5343102225738410511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/03/sonhos-e-lagoa-rodrigo-de-freitas.html' title='Sonhos e a Lagoa Rodrigo de Freitas'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R-xN8lc46NI/AAAAAAAAADE/wCS-TeTE_-g/s72-c/lagoa1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-1505728788262252353</id><published>2008-03-22T14:00:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T14:21:11.411-08:00</updated><title type='text'>BASTA? Tá de brincadeira, né?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R-V5jlc46LI/AAAAAAAAACk/nmoZLUjtdGs/s1600-h/111.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180680598615287986" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R-V5jlc46LI/AAAAAAAAACk/nmoZLUjtdGs/s320/111.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Rio de Janeiro padece de dois graves problemas: a saúde pública e a violência. Seja qual for o perfil de candidatos à prefeitura, o debate e as propostas sobre tais questões devem ser estimulados e averiguados com muito cuidado pelo eleitorado carioca. Saúde pública deve ser compreendida de uma forma mais ampla do que geralmente o é. E a violência precisa ser encarada sem hipocrisia ou situacionismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A epidemia da dengue no Rio de Janeiro - talvez o maior expoente da crise pela qual passa o sistema de saúde do Estado - é fruto de anos e anos de descaso dos políticos cariocas com relação à saúde. Saneamento básico, um dos pilares de um sistema de saúde “saudável” não dá voto, nunca deu. Mas dá mosquito, que provoca doença que, por sua vez, pode matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra de saneamento não aparece. É realizada, na sua maioria, embaixo da terra. Tratamento de esgoto não aparece. Uma política séria de conscientização do uso da água, da forma como o lixo é dispensado, tampouco dá voto. O que aparece bem e enche vagões com votos e jornais com manchetes são os factóides e as garantias populistas. Para citar exemplos, temos dois governantes cariocas mestres em ambas as artes. O atual prefeito do Rio é ótimo criador de factóides e o idiota do ex-governador e a sua realeza são devotos de um populismo de esquerda, morto e enterrado, mas que infelizmente ainda cheira mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre a mesma coisa em época de eleição. Mal começa a caça aos otários – nós – e as promessas começam a ser proferidas a todos nós com uma ênfase vergonhosa. É trem bala, construção de muro para cercar favelado, diminuir maioridade penal (como se prefeito e governandor pudessem fazer isso), políticas de segurança de tolerância zero, bolsas auxílios para todos os gostos. Pobres ouvidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o assunto é violência, parece-me que o discurso consegue piorar. À participação dos políticos e burocratas soma-se o discurso da “elite”, a mais afetada pela violência carioca (aqui é uma ironia, tá bom...). Somos obrigados a ter que conviver com “movimentos” de BASTA à violência, abraço em volta da Lagoa, caminhadas pela orla de Ipanema, Copacabana, Leblon.&lt;br /&gt;É claro que a violência é um problema de todos, mas seria chover no molhado dizer que medidas tomadas no calor dos acontecimentos em pouco ajudam. Para cada um João Hélio que morre no asfalto, morrem, arriscaria afirmar, dezenas de adolescentes nas favelas e nas periferias da Cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos são importantes como exemplos de que a situação é insustentável. Mas também é insustentável a segregação de renda, a diferença educacional entre as classes média e rica e as mais desfavorecidas.É insuportável a forma como os tratamentos dados pela Polícia e pelos aparatos de repressão à violência do estado são aplicados de forma desproporcional, conforme a classe social. Diminuir a maioridade penal, como foi defendido pela mídia e pela “elite” carioca, chocada com a morte absurda do João Hélio, é pôr uma peneira de trágicas proporções sobre um problema muito mais complexo, que exige autocrítica e medidas radicais de enfrentamento do descaso sócio-econômico por que passam grande parte da população do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à dengue ...é vida que segue. munição de AR15 e pistola chegam nas janelas dos aparmentos e dos automóveis dos bacanas (cada vez mais blindados), mas mosquito da Dengue não tem a autonomia de vôo das armas. O lixo, o esgoto, a água parada dos pneus imprestáveis, não conhecem o céu aberto e cheiroso das avenidas do Leblon, Ipanema, Copacabana, Jardim Botâncio. Logo, a dengue é vida que segue e assim vai continuar, ano após ano, como sempre foi: a epidemia dos pobres, que às vezes respinga , mas só às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mentira do moralismo da família carioca nos salvou e nos redimiu Nelson Rodrigues. Quem será o nosso herói que virá redimir o Rio de Janeiro dos políticos e do desprezo dos mais afortunados? Quem será o nosso Vírgilio, que virá nos guiar pelo inferno dantesco e nos entregará nas mãos da bela Beatriz, sabedora do caminho que leva ao paraíso? Não acredito nos BASTAS que a cidade costuma dar de tempos em tempos na orla carioca. Acredito, por exemplo, na solidariedade e na capacidade de organização de movimentos multifacetados e multirepresentados. E você?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-1505728788262252353?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/1505728788262252353/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=1505728788262252353' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/1505728788262252353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/1505728788262252353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/03/basta-t-de-brincadeira-n.html' title='BASTA? Tá de brincadeira, né?'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R-V5jlc46LI/AAAAAAAAACk/nmoZLUjtdGs/s72-c/111.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-5720772068839688083</id><published>2008-03-14T11:03:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T14:21:11.712-08:00</updated><title type='text'>Flores</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9rC0waWkFI/AAAAAAAAABM/o_MSE6W1XYM/s1600-h/Monte+Verde+-+Outubro+2006+084.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177664933220225106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9rC0waWkFI/AAAAAAAAABM/o_MSE6W1XYM/s320/Monte+Verde+-+Outubro+2006+084.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9q_GwaWkEI/AAAAAAAAABE/QDZGfG9gYQc/s1600-h/Monte+Verde+-+Outubro+2006+084.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os campos estão florescendo&lt;br /&gt;As rosas brotam tímidas,&lt;br /&gt;Dá pra ver de certa distância&lt;br /&gt;Algumas pétalas vermelhas...tantas cores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que a vida não acompanha os campos&lt;br /&gt;Florescem, impávidos, os campos&lt;br /&gt;Enquanto a vida se esvai, com o tempo&lt;br /&gt;e não é alegre...quero ver quem diga que é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecem olhos as flores&lt;br /&gt;Não na beleza – há beleza nos olhos?&lt;br /&gt;Parecem na teimosia,&lt;br /&gt;teimam em se abrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou o tempo dos olhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;por vezes tímidos e outras tão mentirosos&lt;br /&gt;E os campos não parecem verdes como outrora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia morre&lt;br /&gt;O poeta se suicida na verdade&lt;br /&gt;As flores murcham, como sempre – sem qualquer culpa&lt;br /&gt;Os olhos – portas da solidão, apenas se fecham, sem cerimônia (solidão que as flores não experimentam e por isso são simples flores&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-5720772068839688083?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/5720772068839688083/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=5720772068839688083' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5720772068839688083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5720772068839688083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/03/flores.html' title='Flores'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9rC0waWkFI/AAAAAAAAABM/o_MSE6W1XYM/s72-c/Monte+Verde+-+Outubro+2006+084.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-965426134859471858</id><published>2008-03-13T05:36:00.000-07:00</published><updated>2008-12-08T14:21:11.831-08:00</updated><title type='text'>Por que ler Saramago?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9mHNgaWkDI/AAAAAAAAAA8/rScqATnlIWg/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177317912747610162" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9mHNgaWkDI/AAAAAAAAAA8/rScqATnlIWg/s320/1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A pouco li o excelente livro “Ensaio Sobre a Cegueira” do escritor português, José Saramago. Confesso que tinha por ele um certo preconceito, que nutria com uma atitude pedante e pouco tolerante. Amigos me vinham falar dos seus livros com tamanho entusiasmo que me custava crer que de fato ali estaria tão fantástico escritor. Mas resolvi me resignar. Solicitei à minha mulher que trouxesse de Lisboa alguns livros de Saramago. Não fiz exigências específicas. Queria apenas que entre eles estivessem os dois “ensaios” (sobre a cegueira e sobre a lucidez). O último porque, na minha opinião, a palavra “lucidez” é de uma beleza extraordinária. Lembro-me, quando menciono esta palavra, não sei bem a razão, das curvas da orla de Copacabana, bairro onde fui criado. Não resisti ao título.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Flávia trouxe-me então cinco livros. Estão agora na minha estante “Jangada de Pedra”, os dois “ensaios”, “A Caverna” e o “Memorial do Convento”. Assim que os livros chegaram não me contive. Peguei para ler, não era para menos, dado à beleza da palavra, o “Ensaio Sobre a Lucidez”. Comecei como se deve comecar um livro: do começo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Muita chuva, uma zona eleitoral qualquer, vazia, os que ali trabalhavam estavam ansiosos por não terem recebido ninguém para votar durante a manhã. O início do livro anunciava ao que veio? Uma crítica política, filosófica, um sarcasmo com a democracia? Parágrafos longos, sem pontuação que delimitasse o fim de um período. Estava ali, apresentando-se com pompas, o Sr. José “Nobel” Saramago. Fiquei um pouco desconfiado, já guardava em mim tal preconceito, mas fui em frente. Já havia lido outros autores que utilizavam do mesmo artíficio para narrar estórias (por sinal, aconselho o excelente “O Psicanalista” da autora francesa Leslie Kaplan). Mas também comecei a perceber que poderia sim haver uma certa linha histórica entre os dois “ensaios”. Não me fiz de rogado e fui ao “wikipedia” (aliás, essa ferramenta merece um capítulo a parte). Constatei o que já vinha pensando. Os “ensaios” têm sim uma linha narrativa que deve ser respeitada para melhor compreensão. A “cegueira” vem antes da “lucidez”. Que ótima sacada! Pensei. Caíram ali alguns murinhos de preconceito. Achei demais, e a curiosidade aumentou. Parei então de ler “Ensaio Sobre a Lucidez” na página 56 e comecei a ler o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que livro maravilhoso! Concordo com alguns críticos de Saramago de que os períodos longos soam como uma certa empáfia. Um estilo que maltrata o leitor. Como se ele quisesse deixar claro que somente chegará ao fim do livro aquele que realmente enfrentar este desafio. Como ver um filme moderno filmado em preto e branco. Raramente dá certo . Mas sublimando essa parte, segui e não me arrependo. Uma estória com personagens sem nomes, sem identidades definidas. Apenas cegos, referenciados por fatos. O médico, a mulher do médico, o homem com venda nos olhos, o menino que era estrábico, o primeiro a cegar, a mulher do primeiro homem a cegar, o policial. Personagens sem títulos, sem passado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A narrativa começa no momento em que o primeiro homem cega. No sinal de trânsito. No momento da partida. Cegou! Buzinas, gritos, palavrões e um cego desesperado. Uma situação onde a paciência raramente aparece. O tráfego intenso, a volta pra casa na hora do rush, o homem e a máquina. Só ela importa, porque só ela o leva para longe das ruas de volta às residências. E um homem cego que passa a ser considerado a pedra que atrapalha o caminho “natural” da vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A narrativa é construída com paciência e respeito ao leitor – à exceção dos parágrafos longos. Poderíamos nos peder com personagens sem nomes, mas o ecritor toma todo o cuidado necessário para nos situar. É na verdade uma excelente sacada. Cego tem nome? Talvez essa seja uma das perguntas que devemnos enfrentar ao ler o romance.&lt;br /&gt;Não tinha a intenção de escrever uma resenha do livro, mas sim despertar em vocês que não leram o desejo de fazê-lo. Penso que de certa forma me redimo do preconceito que nutria por este escritor, que a despeito de uma visão um tanto quanto naif do mundo, é um homem extremamente inteligente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-965426134859471858?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/965426134859471858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=965426134859471858' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/965426134859471858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/965426134859471858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/03/por-que-ler-saramago.html' title='Por que ler Saramago?'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/R9mHNgaWkDI/AAAAAAAAAA8/rScqATnlIWg/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4963545002286268352.post-5764684867060915058</id><published>2008-03-11T19:26:00.000-07:00</published><updated>2008-03-11T20:19:29.106-07:00</updated><title type='text'>Uma tentativa</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Londres, 12 de março de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já tive um blog – pelo menos algo perto disso. Postei algumas poesias que escrevi, uma ou outra crítica a algum livro que li, alguns comentários sobre filmes que assisti. Tentei me embrenhar por esse mundo virtual dos blogs, tão excitante quanto perigoso. Mas, confesso que o meu diletantismo, tão caro à minha personalidade, me atrapalhou bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho o mundo dos blogs excitante porque permite a todos que têm algum acesso ao espaço virtual postarem nas suas páginas os mais diversos tipos de “produtos”. Desde de singelas poesias até fotos ou relatos que deixariam minha avó Olympia, já falecida, rosadinha de vergonha. Excitante porque é permissivo. Não admite a censura. Mas também guarda lá seus perigos. Tão permissivo que torna-se facil se entregar a alguns de seus “prazeres”: o anonimato, a irresponsabilidade institucionalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é mesmo bom. E por isso voltei. Porque é simplesmente bom e quero experimentar chutar o pau da barraca, provocar, ser cínico, ser poeta, ser um poeta cínico, ousar ser ingênuo, por que não? Viva o blog! Um grande amigo, jornalista de grande sucesso no mundo dos blogs, define a experiência de escrever neste espaço como “"jardim" ideal para desabafar, publicar e compartilhar (...) suas idéias e ideais”. Aceito o desafio. Será uma batalha contra o cotidiano insano de quem está terminando de escrever a dissertação de mestrado, as tarefas de pesquisa na London School of Economics (LSE) e se preparando para o início do doutorado na Alemanha. Será ainda mais desafiador por se tratar de um preguiçoso nato e extremamente “fracassofóbico”. O que é mais um dos meus paradoxos, uma vez que, como bem disse o poeta Ferreira Gullar, “escrever é fracassar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4963545002286268352-5764684867060915058?l=palavrasdelonge.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/feeds/5764684867060915058/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4963545002286268352&amp;postID=5764684867060915058' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5764684867060915058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4963545002286268352/posts/default/5764684867060915058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdelonge.blogspot.com/2008/03/uma-tentativa.html' title='Uma tentativa'/><author><name>Henrique Blecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14764535630447544578</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_1JdQ1RGDB-8/SVjm31iuBcI/AAAAAAAAAG8/0AuDtxNMo8g/S220/01122007090.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
